"E acho que, se você se apega a isso, a alguma coisa que é material, isso quer dizer que você está plantando sua raiz por uma estrutura material. Eu quero ter raiz, mas raízes aéreas, que eu possa levar para onde eu quiser."
Há alguns dias, dei de cara com uma entrevista que a Eliane Brum fez com Debora, uma psicóloga que faz parte do Médico Sem Fronteiras, e me emocionei. Selecionei alguns trechos para colocar aqui, mas eu recomendo, de verdade, que você leia a entrevista inteira.
"É isso. Debora é com certeza uma das pessoas mais vivas que conheci. E esta é uma entrevista ao mesmo tempo chocante e inspiradora. Dois adjetivos que só alguém com as qualidades de Debora, capaz de arrancar esperança nos cenários mais brutais, poderia acrescentar a um mesmo substantivo. Por isso, foi também uma entrevista muito difícil de cortar. Depois de bastante sofrimento, consegui deixá-la em um terço da original. E guardar o restante para outro momento. Vale cada linha. E meu sonho é que todos possam lê-la e ser movidos pela vontade de compartilhá-la com os amigos e também com desconhecidos."
E muitas vezes eu penso que também quero ter raízes aéreas.
"Ela nunca vira essas pessoas na vida e essas pessoas estavam dispostas a acolhê-la. E no outro dia ela voltou e me agradeceu muito. Ela disse: “Eu me lembrei da última vez em que eu fui feliz”. E quando foi, Marie? Ela falou: “Foi quando eu dancei”.